Demolição Tradicional

Processo

Consiste em desmantelar o edifício pela ordem inversa do processo construtivo, ou seja, por níveis horizontais sucessivos, começando pela parte superior da construção, com escoramento das paredes mestras das construções adjacentes.

A demolição efetua-se com o auxílio de ferramentas manuais (martelos, pás, picaretas, etc.) e ferramentas mecânicas portáteis (martelo-picador, martelo-perfurador, fragmentador de betão, serras de corte de betão, etc.).

Os entulhos são evacuados do plano de trabalho através de caleiras adequadas para a descarga de materiais.

Demolição por método tradicional
Vantagens Desvantagens
Requer grande quantidade de mão-de-obra;
Único processo possível em meio urbano; Implica condições de trabalho penosas e desconfortáveis;
Processo bastante lento;
Permite a recuperação máxima dos materiais. Impossível de ser utilizado se os edifícios forem constituídos por materiais resistentes (betão pré-esforçado) ou bastante frágeis (telhados e soalhos envelhecidos).

Para este processo de demolição deverão ser adoptados as medidas de prevenção que de seguida se apresentam.

 

Antes de iniciar os trabalhos verificar:

  • Se existe um Técnico idóneo para assegurar a condução dos trabalhos;
  • Se há equipamentos de trabalho adequados à demolição manual e se reúnem todos os requistos de segurança;
  • Se estão cortadas todas as infraestruras (água, gás, electricidade, telefone e tecomunicações);
  • Analisar se os elementos construtivos apresentam problemas de instabilidade e solidez, nomeadamente no caso de a edificação ter sido sujeita a catástrofes naturais, incêndio ou prolongado abandono;
  • Delimitar e sinalizar previamente toda a área perimetral da zona a demolir;
  • Colocar redes que impeçam a projecção de materiais sobre a via pública e desinfestar caso haja necessidade;
  • Construir plataformas, vedações com corrimão ou cobertos que garantam a segurança do público;
  • Colocar à disposição dos trabalhadores guarda – corpos, palas de protecção ou estrados de protecção em locais onde possa existir riscos de queda de pessoas;
  • Desmontar e retirar previamente todos os elementos frágeis como portas, janelas, clarabóias, etc.;
  • Escorar, entivar e retirar todos os elementos construtivos que apresentem instabilidade ou falta de resistência;
  • Derrubar, primeiramente, os elementos suportados e só depois os suportantes, conduzindo gradualmente a demolição de piso para piso, de cima para baixo e obrigando, sempre que possível, a permanência no mesmo piso de todos os trabalhadores;
  • Se for necessário utilizar andaimes, estes equipamentos deverão ficar completamente desligados dos elementos a demolir;
  • Verificar periodicamente se os acessos aos postos de trabalho são estáveis e estão desobstruídos ou limpos de entulho;
  • Montar escadas exteriores à construção ou reforçar as escadas da edificação que, deverão ser, em cada piso, os últimos elementos a serem demolidos;
  • Fixar, no atravessamento de vias de circulação, as tubagens, as mangueiras e os cabos de modo que estes equipamentos não se danifiquem ou provoquem tropeções;
  • Inspeccionar periodicamente as tubagens e os acessórios de ar comprimido a fim de evitar fugas de ar sob pressão;
  • Tapar as aberturas do pavimento do piso em demolição, excepto se aquelas forem usadas no escoamento de entulhos;
  • Interditar o lançamento de entulhos pelas janelas ou aberturas nos pisos;
  • Regar primeiramente os entulhos e só depois descê-los em caleiras devidamente vedadas e com troços rectos nunca superiores à altura de dois pisos;
  • Munir a saída inferior de cada caleira com uma comporta para deter a corrente de materiais;
  • Usar ferramentas apropriadas na retirada dos materiais das caleiras, evitando-se a utilização das mãos;
  • Retirar ou revirar as pontas de todos os pregos salientes que possam existir em tábuas;
  • Nas situações em que sejam utilizados maçaricos deve-se:
    • Instalar as garrafas de oxigénio e acetileno em locais protegidos do sol e de modo que não possam ser atingidas por desmoronamentos ou projecções de partículas;
    • Pôr à disposição dos trabalhadores extintores de CO2ou de pó químico.
  • Na demolição de coberturas deve-se:
    • Retirar o respectivo material progressivamente e em ambos lados para evitar desequilíbrios da estrutura;
    • Deslocar cuidadosamente as peças que vão sendo soltas, tentando-se, assim, na sua retirada evitar os movimentos bruscos, bem como o seu arranque com auxílio de grua;
    • Descer gradualmente os seus elementos através de caleiras e/ou com a ajuda de grua ou guincho;
    • Impedir que as chaminés e varandas sejam puxadas para caírem como um todo, ou que sejam abandonadas em posição instável para poderem ser derrubadas por acção do vento;
    • Evitar que as telhas, placas metálicas ou de fibrocimento sirvam de apoio aos trabalhadores, implementando o uso de tábuas de rojo;
    • Demolir a abóbada/arco a partir do seu centro para as extremidades seguindo uma trajectória em espiral, e, caso exista mais que uma, escorar aquela que não estiver a ser destruída;
  • Na demolição de paredes interiores deve-se:
    • Referenciar as paredes cujo betão tenha menor resistência e prevenir os trablhadores de tal circunstância;
    • Impedir que os trabalhadores apoiem os pés em elementos que não tenham, pelo menos, 0,35 m de espessura ou em paredes-mestras que sejam instáveis ou de fraca solidez;
    • no derrubamento de peças de parede situadas a mais de 6.00 m de altura usar um arnês de segurança bem preso a elemento rígido, mesmo quando a base de apoio dos pés seja superior 0,35 m;
    • Seccionar os seus diversos elementos em partes que se transportem facilmente, evitando-se, assim, esforços excessivos e posturas erradas;
    • Evitar que as diversas secções sejam abaladas e deixadas ruir como massa única;
  • Na demolição de lajes dos diversos pisos deve-se:
    • Iniciar a sua demolição só após o conhecimento prévio dos respectivos apoios e executá-la segundo uma direcção paralela aos mesmos;
    • Entivar todo o soalho de madeira que apresentar fraca estabilidade ou solidez e escoar rapidamente todos os entulhos;
    • Cortar com auxílio de maçarico as partes constituintes em betão pré-esforçado nos pontoschave devidamente assinalados pelos técnicos, evitando-se, assim, que se modifiquem as condições de estabilidade e de resistência das peças.
  • Na demolição de escadas dos diversos pisos deve-se:
    • Conduzir gradualmente a sua destruição da ponta do balanço para o encastramento, em caso de escada encastrada;
    • Conduzir gradualmente a sua destruição do meio do vão para os apoios, em caso de escada apoiada em patamares;
    • Conduzir gradualmente a sua destruição do centro do vão para os lados, em caso escada apoiada lateralmente em vigas.
  • Na demolição de muros e paredes exteriores aos diversos pisos deve-se:
    • Fixar, no piso imediatamente inferior ao troço vertical da parede exterior que se pretende desmantelar, uma plataforma de descarga bastante resistente com 1,50 m de largura e cujo bordo exterior esteja, pelo menos, 0,15 m mais elevado que o inferior;
    • Guarnecer o bordo exterior da plataforma com rede de arame galvanizado cujas dimensões ofereçam toda segurança;
    • Tornar obrigatório o uso de capacetes, botas com biqueira de aço, óculos, luvas resistentes e protectores auriculares.

demolicao tradicional